A Lógica do Absoluto — Peter Samsel

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Introdução:

Este texto é a tradução para o português do artigo The Logic of the Absolute: The Metaphysical Writings of René Guénon, de Peter Samsel. A tradução foi realizada por mim, Rafael Santos, com o objetivo de tornar acessível ao público lusófono os fundamentos da filosofia perene, particularmente sob a perspectiva de René Guénon. O artigo é de suma importância para todos aqueles que buscam compreender o funcionamento do Infinito Metafísico, tal como magistralmente exposto por Guénon e aprofundado por seus contemporâneos.

A Lógica do Absoluto

René Guénon (1886-1951), o notável expositor francês da philosophia perennis (filosofia perene), há muito tempo goza de uma sólida reputação entre aqueles familiarizados com seus escritos, sendo considerado talvez o metafísico mais proeminente do século XX (ao menos no Ocidente). Embora sua obra completa compreenda cerca de vinte e três volumes¹, o núcleo de sua exposição metafísica pode ser encontrado em três trabalhos principais: O Homem e seu Devir Segundo o VedāntaO Simbolismo da Cruz e Os Estados Múltiplos do Ser. Essas três obras se complementam mutuamente e devem ser considerados em conjunto para serem devidamente compreendidas. Contudo, cada um desses trabalhos possui um caráter distinto: O Homem e seu Devir está estreitamente vinculado às categorias conceituais e à terminologia específica do Advaita VedāntaO Simbolismo da Cruz, ao mesmo tempo é, um estudo de simbolismo e de metafísica, demonstra a amplitude do domínio doutrinário de Guénon através das tradições, articulando a metafísica tradicional de modo particularmente geométrico; já Os Estados Múltiplos do Ser, a obra mais puramente metafísica de Guénon, constitui uma demonstração lógico-dedutiva de princípios, categorias e relações metafísicas de surpreendente profundidade e clareza.

Apesar de suas distinções e ênfases, todas as três obras possuem a mesma questão: “O que é possível para o ser humano?” Limitar-se a simplesmente apresentar a resposta surpreendente que Guénon afirma não serviria, pois, para que fosse aceita, ainda que provisoriamente, é preciso conquistá-la seguindo a cadeia inferencial de ideias que conduzem de modo inexorável até ela. É nesse aspecto que o temperamento e a formação matemática de Guénon se tornam particularmente evidentes: para ele, primeiro enunciam-se princípios axiomáticos e, em seguida, procede-se, de modo quase lógico, como numa demonstração, em direção às conclusões consequentes.

Guénon inicia sua demonstração com um axioma primário, ou primeiro princípio, que ele denomina Infinito Metafísico. Para aqueles familiarizados com as fontes tradicionais, é evidente que ele está evocando a mesma noção expressa no Brahman de Shankaracharya, na Gottheit de Mestre Eckhart, no Tao de Lao Tzu, no Uno de Plotino ou na al-Dhāt de Ibn ‘Arabi. Ainda que ele deliberadamente forje um vocabulário independente de tais termos tradicionais, ao dirigir-se a um público contemporâneo geralmente pouco familiarizado com essas fontes, Guénon deseja que a doutrina essencial se sustente por si mesma, por meio de sua coerência intrínseca e independentemente de quaisquer associações desse tipo. Guénon é cuidadoso ao distinguir o Infinito Metafísico do infinito matemático, que é finito na medida em que se limita ao domínio dos números. O Infinito Metafísico é, de maneira simples e contundente, aquilo que não possui limites de qualquer tipo ou gênero.

Seguem-se algumas características necessárias a partir desta definição essencial: o Infinito não possui limitações, restrições ou determinações, pois qualquer uma delas anularia claramente sua infinitude. Ele é único, abrangente e uma totalidade absoluta; se algo estivesse fora dele, não seria o Infinito. Não possui partes, pois qualquer parte seria relativa e finita, e, portanto, não poderia ter medida ou relação alguma com ele. É absolutamente indeterminado, já que qualquer definição positiva funcionaria como uma delimitação e, por isso, não poderia ser aplicada a ele. Na mesma medida, é absolutamente afirmado, pois sua indeterminação — a negação de qualquer definição limitante — equivale à negação da negação enquanto tal e, portanto, constitui uma afirmação total. Finalmente, é incontestável, já que sua indeterminação absoluta implica que não pode ser definido, discutido ou, para o caso, contestado.

A definição essencialmente apofática da noção do Infinito Metafísico implica também que, assim como não pode ser racionalmente contestada, tampouco está aberta a uma prova racional. Em vez disso, deve-se recorrer a outro modo de discernimento, que pode ser denominado “intuição intelectual.” A esse respeito, Ananda Coomaraswamy escreveu que a doutrina tradicional possui uma “inteligibilidade autoautenticante”,² na medida em que as ideias metafísicas trazem em si mesmas sua própria evidência suficiente. Contudo, não é de se esperar que tais evidências não sejam compreendidas por todos, como afirma Frithjof Schuon: “O Infinito é aquilo que é; uns compreendem e outros não.”³

O Infinito Metafísico, como um todo abrangente, uma totalidade absoluta, pode ser contemplado sob o aspecto do Todo Universal ou da Possibilidade Universal, como o expressa Guénon. A Possibilidade Universal abrange tudo, exceto o estritamente impossível, que, como negação pura, é um nada literal e, portanto, não constitui limite à infinitude do Todo. A relação entre o Infinito e a Possibilidade Universal pode, sob uma determinada perspectiva, ser concebida como a de perfeição ativa e passiva, de essência e substância. De outra perspectiva, essa relação pode ser vista como a do princípio e do envolvente. Em ambos os casos, há apenas o único Infinito, pois o Todo não é de modo algum distinto do próprio Infinito.

Tudo que é possível encontra seu lugar em relação ao Infinito, que pode ser visto como seu próprio princípio gerador que o envolve e o abrange. Neste sentido, e enquanto se encontra dentro da Possibilidade Universal — e, portanto, não sendo mais impossível —, toda possibilidade pode ser considerada real. Isso, entretanto, não implica que toda possibilidade esteja manifesta. Em geral, qualquer possibilidade considerada pode ser uma possibilidade de manifestação ou de não-manifestação. Essa distinção — entre manifestação e não-manifestação — é a mais fundamental e universal que pode ser feita dentro da Possibilidade universal. Aqui, Guénon distingue entre os dois domínios: o da não-manifestação e o da manifestação. Dentro do domínio da não-manifestação encontram-se tanto o imanifesto (as possibilidades de não-manifestação) quanto o manifestável (as possibilidades de manifestação, na medida em que ainda não estão manifestas). Juntos, os domínios da não-manifestação e da manifestação compreendem toda a Possibilidade Universal.

As possibilidades manifestáveis e imanifestáveis, dentro do domínio da não-manifestação, compreendem dois modos distintos e gerais, cada um conformando-se à sua respectiva natureza. Em contraste, as possibilidades de manifestação — vistas através dos domínios da não-manifestação e da manifestação — possuem um caráter radicalmente diferente em suas condições imanifestas e manifestas. No domínio da não-manifestação, todas as coisas subsistem eternamente como princípios, em absoluta permanência, indiferenciadas e incondicionadas por quaisquer fatores contingentes ou limitativos. Em contraste, no domínio da manifestação, todas as coisas são transitórias, diferenciadas, condicionadas e contingentes. Em essência, o domínio da manifestação é, por necessidade, o campo da diferenciação, multiplicidade, contingência e mudança, enquanto o domínio da não-manifestação — ao mesmo tempo mais essencial e simples — antecede essas condições.

Mesmo quando manifestada, cada possibilidade de manifestação permanece fundamentada em seu princípio imediato, que não é outro senão o seu estado de pura possibilidade na não-manifestação. E é através deste fundamento que encontra sua subsistência perene, independente das condições particulares e limitantes inerentes à manifestação. O que se aplica às possibilidades individuais de manifestação aplica-se igualmente aos domínios da não-manifestação e da manifestação enquanto tais. Em certo sentido, a não-manifestação e a manifestação podem ser consideradas como dois domínios separados e independentes. Entretanto, em um sentido mais profundo, a não-manifestação pode ser vista como o fundamento e a base da manifestação, da qual esta retira toda a sua realidade.

Do mesmo modo que Guénon formula a articulação da Possibilidade Universal em termos de manifestação, ele a formula também em termos de Ser. Embora muito próximos, esses dois modos de expressão não são idênticos: de um lado, ele distingue entre as categorias de não-manifestação e manifestação; de outro, entre as de Não-Ser, Ser e Existência. Esclarecendo a relação entre essas duas articulações, pode-se dizer que a não-manifestação corresponde ao Não-Ser, assim como a manifestação corresponde à Existência, sendo ambos equivalentes e coextensivos. O Ser é uma categoria intermediária: não manifesto, mas distinto do Não-Ser; princípio da manifestação, mas ainda distinto da Existência. Em certo sentido, o Ser pode ser considerado aquele aspecto do Não-Ser que é o princípio imediato da Existência como tal, ou o Não-Ser na medida em que se expressa na Existência; entretanto, em um sentido mais profundo, o Não-Ser é anterior ao Ser, que é a primeira determinação em direção à Existência, a primeira distinção rumo à diferenciação, enquanto o Não-Ser em si é indeterminado e indistinto.

Se o Infinito Metafísico pode ser visto sob o duplo aspecto de princípio e de recipiente, de modo que se possa falar simultaneamente do Infinito Metafísico e da Possibilidade Universal, essa perspectiva dupla também se encontra nas categorias metafísicas subsequentes de Não-Ser e Ser. Portanto, o Não-Ser pode ser visto como princípio e fundamento abrangente do Ser, assim como o Ser mantém essa mesma dupla relação em relação à Existência. Essa dupla relação de princípio e recipiente é fundamentalmente inerente: cada categoria antecedente, como fonte ou base da categoria subsequente, necessariamente compreende e engloba, em princípio, a totalidade dessa categoria. Expressando metaforicamente este duplo aspecto, pode-se observar que a bolota é ao mesmo tempo o princípio ‘semente’ do carvalho, ao mesmo tempo em que engloba, em princípio, todos os aspectos de seu crescimento e forma subsequente.

Duas imagens sugestivas podem tornar mais claros os relacionamentos fundamentais entre as categorias metafísicas. Considere quatro círculos ou esferas aninhados, cada um associado a uma categoria metafísica específica. Na [Imagem 1], sugestiva da perspectiva em que cada categoria antecedente abrange a subsequente, o círculo mais externo representa a Possibilidade Universal, seguido pelo Não-Ser, pelo Ser, e, finalmente, pelo círculo mais interno, a Existência. Cada círculo contém o subsequente, de forma descendente, seguindo da Possibilidade Universal até a Existência. Na [Imagem 2], sugestiva da perspectiva em que cada categoria antecedente é o princípio imediato da subsequente, podemos usar os mesmos quatro círculos aninhados, mas invertendo as relações: agora, o círculo mais interno representa o Infinito Metafísico, seguido pelo Não-Ser, pelo Ser e, por fim, pelo círculo mais externo, a Existência. Cada círculo é o princípio do subsequente a ele, de forma semelhante ao sol, que irradia seus raios, seguindo do Infinito metafísico até a Existência.

Duas consequências gerais adicionais podem ser deduzidas a partir dessas relações categóricas. A primeira: enquanto cada categoria antecedente é metafisicamente distinta da subsequente, ela não está, por isso, isolada dela. O relacionamento principial entre as categorias, no qual uma categoria subsequente se fundamenta e extrai sua realidade de sua antecedente, implica que, de certo modo, seu antecedente participa dela ou, de forma equivalente, que ela é ‘participada’ por seu antecedente. Expressando novamente, de forma metafórica, uma bolota e um carvalho são claramente distintos, mas também existe uma continuidade evidente, na medida em que a bolota participa principialmente do carvalho em seu desdobramento subsequente.

A segunda e crucial consequência é que, embora essa ‘continuidade na distinção’ entre categorias seja mais imediatamente relevante entre uma determinada categoria e seu antecedente imediato, a extensão desse princípio deixa claro que ela deve persistir entre uma categoria e todo o seu conjunto de antecedentes, pois cada um, por sua vez, mantém uma continuidade em relação ao seu anterior. Assim, a Existência é participada não apenas pelo Ser, seu antecedente imediato, mas também pelo Não-Ser e pelo Infinito Metafísico. O corolário decisivo é que o Infinito Metafísico, embora transcendentalmente único, participa principialmente e está presente em todas as categorias metafísicas subsequentes, chegando até a totalidade da Existência. Por fim, existe apenas um único Princípio: o próprio Infinito metafísico.

A linguagem da metafísica, necessariamente de alta abstração, é tornada mais acessível por Guénon através do uso de várias metáforas adequadas. Assim como o termo Infinito metafísico evoca e ao mesmo tempo transcende o infinito matemático, Guénon estende essa metáfora numérica às demais categorias metafísicas. Assim, o Não-Ser, em sua indiferença imanifesta, pode ser considerado o ‘Zero metafísico’; o Ser, como a diferenciação primordial, pode ser visto como a ‘Unidade’; a Existência, tomada em sua totalidade, é a ‘Unicidade’, que compreende a multiplicidade enquanto indefinida em suas possibilidades manifestas. A Unidade pode ser entendida como a afirmação do Zero, assim como a Unicidade preserva uma unidade essencial, ao mesmo tempo em que expressa a multiplicidade. Em termos geométricos, pode-se considerar o Não-Ser como aquilo que antecede o espaço e a extensão; o Ser, como o ponto primordial, desprovido de espaço em si, mas possuindo todo o espaço em virtualidade; e a Existência, como a totalidade do espaço, em sua extensão indefinida. Similarmente, em termos de discurso, o Não-Ser pode ser considerado como o silêncio, como tudo o que é inexpressável; o Ser, como o som puro, ou a pura possibilidade de expressão; e a Existência, como a totalidade do expressável, de tudo o que é pronunciado.

A Existência, como o reino das possibilidades manifestas em toda a sua diversidade e multiplicidade diferenciada, é necessariamente composta de diversos graus ou modos, cada um formado por um conjunto de possibilidades compatíveis, sujeitas a condições comuns, como espaço, tempo, forma e corporeidade. Dentro dessa concepção geral, o ser humano individual pode ser visto como uma determinada coleção de possibilidades manifestas, tanto corporais quanto sutis, sujeitas a certas condições definidoras. Assim, cada ser humano compreende um grau ou estado particular da Existência universal, entre uma indefinida multiplicidade de outros. Se a Existência estivesse isolada de suas categorias metafísicas antecedentes, então um ser humano individual seria nada mais do que uma unidade fragmentada, presente em meio a uma diversidade indefinida, isolada de qualquer outro estado. No nível da individualidade humana, essa é precisamente a nossa condição existencial. No entanto, a Existência é principialmente ‘participada’ por suas categorias metafísicas antecedentes, assim como cada possibilidade manifestada dentro do domínio da Existência está fundamentada em seu princípio imanifesto. A “continuidade na distinção” entre categorias metafísicas implica que o ser humano é mais do que a sua individualidade particular, pois traz em si a marca de todos aqueles antecedentes metafísicos que nele participam. Mas, assim como isso é verdadeiro para o homem enquanto um estado particular da Existência, também o é para todos os estados, qualquer que seja a sua natureza. E, no entanto, ao fim, há apenas um anterior, um único Princípio — o Infinito Metafísico — presente em todas as suas reverberações através de todas as categorias metafísicas e de todas as possibilidades que estas compreendem. Neste sentido, pode-se considerar ainda o Infinito Metafísico sob um outro aspecto, distinto da Possibilidade Universal, aquele que Guénon denomina o Ser integral ou total. Este Ser — o qual deve ser claramente distinguido tanto do Ser como categoria metafísica, quanto do ser humano individual — pode ser compreendido como o Infinito Metafísico em seu aspecto de participação principial em toda a Possibilidade Universal. Assim, ele é, ao mesmo tempo, singular em si mesmo e diferenciado através de todas as categorias e possibilidades metafísicas.

Um termo intimamente relacionado que Guénon emprega é o “Eu”. Mais fundamentalmente, o Eu é idêntico ao Ser total; mas, tomado do ponto de vista do indivíduo humano, o Eu é o princípio último através do qual subsiste todo o conjunto de possibilidades manifestas e imanifestas que compõem o ser humano. O Eu, então, pode ser entendido como o Ser total visto sob o aspecto particular e limitativo de um determinado indivíduo humano. Sob este aspecto, pode-se dizer, metaforicamente, que, se o Ser total é o Sol, o Eu é um raio solar; se o Ser total é uma tapeçaria, então o Eu é um fio. O Eu, como princípio, é a verdadeira realidade do ser humano, sendo a individualidade apenas uma modificação transitória e contingente.

O indivíduo humano, da perspectiva de sua individualidade, é, no melhor dos casos, um fragmento dentro de uma vasta multiplicidade de manifestações. No entanto, na medida em que participa do Eu, o indivíduo está fundamentado e remonta ao próprio Infinito metafísico, do qual o Eu é um aspecto particular. Deve ser assim, pois, sem essa continuidade essencial, o indivíduo estaria completamente destituído de realidade, separado do fundamento que o sustenta. Essa continuidade, embora de importância fundamental para o indivíduo, permanece não sentida, imperceptível e desconhecida. Eis o que constitui, ao mesmo tempo, a tragédia e a promessa da condição humana: tragédia, porque sem esse conhecimento — essa gnosis — experimentamo-nos de modo estreito e fragmentário, tal como nos é demasiado familiar; promessa, porque nenhuma outra retificação é necessária senão este conhecimento libertador. Não podemos fazer nada, pois nada há a ser feito; precisamos apenas conhecer o que é, o que sempre foi e o que há de ser.

O que é possível ao ser humano é a realização de sua identidade essencial com o Eu e, assim, com o Ser integral e total, o Infinito Metafísico em seu aspecto participativo no seio da Possibilidade Universal. Com tal realização, o ser humano transcende sua individualidade particular, sua humanidade, deixando de ser um fragmento para ser uma totalidade. Guénon descreve essa condição última com as palavras do grande sábio vedântico Shankaracharya: “O yogue, cujo intelecto é perfeito, contempla todas as coisas como permanecendo em si mesmo e, assim, pelo olho do Conhecimento, percebe que tudo é o Eu. Ele sabe que todas as coisas contingentes não são diferentes do Eu e que, à parte do Eu, nada existe.⁴

Notas:

1. Veja os livros da Sophia Perene: http://www.sophiaperennis.com/guenon.html

2. Alvin Moore, Jr. & Rama P. Coomaraswamy (Eds.), The Selected Letters of Ananda K. Coomaraswamy (Delhi: Indira Gandhi National Centre for the Arts, 1988), p.191.

3. Frithjof Schuon, Spiritual Perspectives and Human Facts (Middlesex, UK: Perennial Books, 1987), p.55.

4. René Guénon, Man and His Becoming According to the Vedanta (Hillsdale, NY: Sophia Perennis, 2001), p.168.


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